É a história mais comum no consultório adulto. Usou aparelho na adolescência, tirou, ganhou uma placa para usar à noite, e em algum momento a placa ficou na gaveta. Anos depois, os dentes da frente começaram a se sobrepor de novo, e veio a sensação de que o tratamento “não funcionou”.
Quase sempre funcionou. O que faltou foi a última etapa.
Por que os dentes querem voltar
Mover um dente não é só mudá-lo de lugar. Em volta de cada dente existem fibras que o prendem ao osso e à gengiva, e elas se esticam durante o movimento. Terminado o tratamento, o osso ainda está se reorganizando em volta da nova posição, e as fibras da gengiva guardam uma espécie de memória da posição antiga. Elas levam muito mais tempo para se adaptar.
É por isso que os primeiros meses depois de tirar o aparelho ou terminar os alinhadores são os mais sensíveis: é quando a tendência de voltar é mais forte.
E não para por aí
Mesmo depois que tudo se estabiliza, os dentes continuam se mexendo ao longo da vida, em qualquer pessoa, com ou sem tratamento. A mastigação, o envelhecimento natural, hábitos e mudanças na gengiva vão deslocando os dentes aos poucos, e os de baixo, na frente, costumam ser os primeiros a mostrar isso.
Por isso a pergunta “por quanto tempo?” tem uma resposta menos confortável do que a maioria espera: pelo tempo em que você quiser manter o resultado.
Os tipos de contenção
- Contenção fixa: um fio fino colado na parte de trás dos dentes da frente, geralmente embaixo e às vezes em cima. Não aparece no sorriso e não depende de você lembrar de nada. Pede cuidado extra na limpeza, com fio dental passado por baixo dele
- Contenção removível transparente: uma placa parecida com um alinhador, que se encaixa sobre a arcada. Discreta, fácil de limpar, usada em geral à noite
- Contenção removível com arame: uma placa de acrílico com um fio que passa pela frente dos dentes. Mais resistente, um pouco mais visível
É comum combinar as duas: fixa embaixo, removível em cima, por exemplo. A escolha depende do caso, de como os dentes se moveram e da sua rotina.
Como costuma ser o uso
Nos primeiros meses, quando a tendência de voltar é maior, a contenção removível costuma ser usada por mais horas. Depois, o uso passa a ser noturno, e fica assim. Não é um tratamento que continua: é uma forma de manter o que já foi feito, com o mínimo de esforço possível.
Três sinais que merecem atenção
- A placa ficou apertada ao recolocar depois de alguns dias sem usar. É sinal de que os dentes já começaram a se mexer. Volte a usar e avise a clínica, não force
- A contenção fixa soltou em algum ponto ou você sente o fio com a língua de um jeito diferente. Um ponto solto deixa de segurar aquele dente
- A placa rachou ou deformou. Contenção deformada não contém, e é melhor refazer do que usar uma que não encaixa
Cuidados que fazem a contenção durar
- Guarde sempre no estojo. É no guardanapo que a maioria se perde
- Limpe com escova macia e água fria. Água quente pode deformar a placa
- Longe de cachorro: o cheiro atrai, e é uma das causas mais comuns de placa destruída
- Leve a contenção às consultas de revisão, para conferir o encaixe
“Se eu já perdi a contenção há anos?”
Então é bem provável que os dentes tenham se mexido um pouco, e isso tem solução. A recidiva é comum, e a correção de um caso assim costuma ser mais simples que o tratamento original. Em muitos casos pode ser feita com alinhadores, sem voltar ao aparelho fixo. E a idade não impede: o que muda é o ritmo.
Se os dentes já começaram a voltar, uma avaliação mostra quanto se moveram e o que é preciso para corrigir. Desta vez, com a contenção no plano desde o primeiro dia.
“O tratamento coloca os dentes no lugar. A contenção é o que os mantém lá.”
